O CONTROLE VETORIAL ADOTADO HOJE, UM RISCO?

Na estrada da química sanitária há mais de 40 (quarenta) anos, assisti grandes inventos, ações elogiáveis, como também verdadeiras decisões desastrosas para a saúde humana em nosso país. Ouvi frases indignas de seres humanos, como: “doar remédio dá mais votos do que implantar sistemas de tratamento de água e esgoto”. 


Ainda hoje algumas ações técnicas, principalmente de órgãos públicos, preocupam-me, como por exemplo, o combate às epidemias que vem assolando o país como verdadeiros bumerangues.


Vamos refletir sobre o combate às ocorrências de epidemias por arbovírus:

  • Por que ainda existem estas epidemias no país?

  • Como têm sido combatidas tais epidemias?

  • Quais as consequências dos processos utilizados?

  • Quais as opções?

Refletindo sobre a primeira questão, é fundamental abandonarmos os antolhos e sermos realistas. A negligência quanto ao Saneamento Básico no país, durante décadas, vem sendo uma constante. Não seleciono aqui somente as autoridades, mas também a um povo que mesmo conhecendo os riscos despreza-o como se não fizesse parte do mundo. Somando responsabilidades, visualizamos aberrações como os índices apresentados sobre a coleta de lixo do país, a oferta de água tratada, a coleta de esgoto (e este ainda correndo a céu aberto em inúmeras comunidades), e outros.


Daí, não estranho a divulgação do próprio Ministério da Saúde quando relata que em 2015 que evolução da epidemia da dengue registrou 1.649.008 casos prováveis desta virose no país e houve um aumento de 82,5% dos óbitos em relação ao ano anterior (Abrasco.org.br/2016)


Todavia, não se pode negar que existe algum esforço no combate às epidemias nos últimos anos. Mas como vem sendo planejado? Qual nível de estudos tem sido aplicado para conhecer a eficiência dos processos visando à saúde humana?


Entendo a complexidade da questão, tanto quanto a necessidade da urgência de mais pesquisas. OAedes aegypti  está aí ampliando de forma impressionante a sua expansão territorial.  Chegam o Zika vírus e outras epidemias, e os processos no combate aos arbovírus continuam os mesmos. Como anda a eficiência destes? O programa de controle do Aedes utilizado pelo governo atende às necessidades? Se sim, por que o crescimento de óbitos?


Os chamados “fumacês” tem sido a ferramenta mais utilizada pelo governo.  Lançando ao ar substancias químicas que devem ter seu custo-benefício questionado. Isto porque conhecemos os efeitos deletérios à saúde humana provocados pela absorção dos Piretroides e dos organofosforados (substâncias que compõem os larvicidas e provocam sérios danos ao sistema nervoso central e periférico, podendo provocar náusea, vômito, diarreia, dificuldade respiratória e sintomas de fraqueza muscular).


Além disso, o pior viés dessa prática é o despreparo e o desconhecimento daqueles que operam os processos conhecidos como “fumacês”.


Certa vez, me deparei com uma situação crítica em um hospital de outra cidade. Fui surpreendido com a informação de que um agente de saúde havia aplicado determinado volume de um larvicida no interior do reservatório subterrâneo de água potável do estabelecimento. Consequentemente, mais de 50.000 litros de água foram lançados na rede de esgoto face ao risco de uma intoxicação dos consumidores. A responsabilidade me jogava contra a parede.


Lamentável, mas algumas Agências Internacionais (como a Organização Mundial da Saúde - OMS) ainda mantem o entendimento da viabilidade destes produtos químicos no combate aos arbovírus.


Com cito acima, a complexidade do processo é real, porém dentre as opções devemos pensar em uma Política Pública com mais ação nas causas e não nas consequências. Ao mesmo tempo, a linha científica, através de esforços de investimentos público-privado, precisa se dedicar mais ao desenvolvimento de vacinas que sejam acessíveis à população em geral.


É necessário aguçar as campanhas educacionais continuamente, e não pontualmente com visão sazonal, inclusive sendo mais agressivas dada a indolência de nosso povo em relação às práticas preventivas. É fundamental conscientizar as diversas parcelas da sociedade, pois jamais haverá sucesso no combate às citadas epidemias com ações unilaterais. 



Referências:

https://www.abrasco.org.br/site/2016/02/carta-de-alerta-da-abrasco-cidades-saudaveis-e-sustentaveis-este-e-o-desafio-urgente

http://portal.saude.gov.br

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